Exames hormonais: quais pedir e quando (FSH, estradiol, TSH)

Conteúdo revisado pela Dra. Taiane Frota · CRM-AM 7285

Profissional de saúde coletando sangue do braço de uma paciente para exames hormonais

Resumo rápido

Exames hormonais são exames de sangue que medem
substâncias produzidas pela hipófise, pela tireoide e pelos ovários.
Cada um deles olha para uma parte diferente do sistema que controla o
ciclo menstrual, a ovulação e a fertilidade.

O resultado de um exame hormonal isolado raramente fecha um
diagnóstico. O que importa é o conjunto: o motivo do pedido, o dia do
ciclo em que o sangue foi colhido e os sintomas que você relatou na
consulta.

Por que a
ginecologista pede exames hormonais

Hormônios trabalham em cadeia. A hipófise, uma glândula na base do
cérebro, manda sinais para os ovários e para a tireoide; os ovários
respondem produzindo estrogênio e progesterona; a tireoide produz
hormônios que afetam, entre outras coisas, o próprio ciclo
menstrual.

Quando algo nessa cadeia está fora do esperado, aparecem sinais como
ciclo irregular, dificuldade para engravidar, sintomas de menopausa fora
da idade típica, queda de cabelo, acne fora do padrão ou alterações de
peso. Os exames hormonais ajudam a entender em qual ponto da cadeia está
a alteração.

Os principais exames
hormonais femininos

  • FSH (hormônio folículo-estimulante): produzido pela
    hipófise, estimula os ovários a amadurecer os óvulos. Costuma ser pedido
    para investigar reserva ovariana, ciclos irregulares e suspeita de
    menopausa.
  • LH (hormônio luteinizante): também vem da hipófise;
    é o hormônio que dispara a ovulação. Avaliado junto com o FSH em
    investigações de fertilidade e de SOP.
  • Estradiol: o principal estrogênio produzido pelos
    ovários. Ajuda a avaliar reserva ovariana e a função ovariana de forma
    geral.
  • Progesterona: produzida após a ovulação. Pedida
    para confirmar se a ovulação aconteceu naquele ciclo, principalmente em
    investigação de infertilidade.
  • Prolactina: relacionada à produção de leite. Quando
    elevada fora da gravidez ou amamentação, pode atrapalhar a ovulação e o
    ciclo.
  • TSH (hormônio estimulante da tireoide): não é um
    hormônio “ginecológico”, mas alterações da tireoide afetam diretamente o
    ciclo menstrual e a fertilidade, por isso costuma entrar no pedido.
  • Testosterona e outros andrógenos: avaliados quando
    há suspeita de SOP ou outras causas de excesso de hormônios masculinos,
    como acne intensa, aumento de pelos ou queda de cabelo.
  • AMH (hormônio antimülleriano): usado para estimar a
    reserva ovariana; ao contrário dos outros, pode ser colhido em qualquer
    dia do ciclo.

Em que dia do ciclo fazer
cada exame

Esse é o detalhe que mais gera confusão: o mesmo hormônio pode dar
resultados bem diferentes dependendo do dia do ciclo em que o sangue foi
colhido.

  • FSH, LH e estradiol costumam ser pedidos no início do ciclo (por
    volta do 2º ao 5º dia, contando o primeiro dia de sangramento como dia
    1), quando refletem melhor a reserva ovariana.
  • A progesterona costuma ser pedida cerca de uma semana antes da
    menstruação esperada, período em que ela deve estar mais alta se a
    ovulação aconteceu.
  • TSH e prolactina não dependem do dia do ciclo, mas costumam ser
    colhidos pela manhã e, no caso da prolactina, evitando estresse,
    exercício e relação sexual nas horas anteriores, pois isso pode alterar
    o resultado.
  • AMH pode ser colhido em qualquer dia do ciclo, inclusive durante o
    uso de anticoncepcional hormonal (com a ressalva de que o
    anticoncepcional pode reduzir um pouco o valor).

Por isso, o pedido da sua ginecologista costuma vir com a orientação
de qual dia do ciclo procurar o laboratório — vale seguir à risca,
porque colher fora do dia certo pode levar a uma interpretação errada do
resultado.

O que
pode alterar o resultado sem significar problema

Estresse, noites maldormidas, exercício físico intenso, algumas
medicações (incluindo antidepressivos e remédios para pressão) e até o
horário da coleta podem alterar temporariamentealguns hormônios,
principalmente a prolactina. Por isso, um resultado alterado isolado
costuma ser repetido antes de qualquer conclusão.

Quando a
ginecologista costuma pedir esses exames

  • Ciclos menstruais irregulares ou ausentes.
  • Investigação de dificuldade para engravidar.
  • Sintomas de menopausa antes dos 40-45 anos.
  • Suspeita de SOP (acne, aumento de pelos, ciclos irregulares).
  • Sintomas que podem estar ligados à tireoide, como cansaço, alteração
    de peso ou queda de cabelo associados a mudanças no ciclo.
  • Antes de iniciar alguns tratamentos hormonais, para ter um ponto de
    partida.

Perguntas frequentes

Posso pedir exames hormonais sozinha, sem consulta?
É possível fazer em laboratórios particulares, mas o resultado sem o
contexto da consulta e sem saber o dia certo do ciclo pode confundir
mais do que ajudar. O ideal é que o pedido venha da ginecologista, junto
com a orientação de quando colher.

Um hormônio alterado sempre significa doença? Não
necessariamente. Vários fatores do dia a dia alteram hormônios
temporariamente. Por isso a médica costuma olhar o conjunto de exames e,
se necessário, pedir a repetição antes de qualquer conclusão.

Preciso estar em jejum? Depende do exame e do
laboratório. TSH e prolactina costumam pedir jejum leve pela manhã;
outros hormônios não exigem. Siga a orientação específica dada no pedido
médico ou pelo laboratório.

Anticoncepcional atrapalha o resultado? Pode alterar
alguns hormônios, principalmente FSH, LH e estradiol. Avise sempre se
está em uso, para a médica interpretar o resultado corretamente ou
orientar quando repetir sem a medicação.

Quantas vezes preciso repetir um exame hormonal?
Varia conforme o motivo da investigação. Em alguns casos um resultado é
suficiente; em outros, a médica pede a repetição em ciclos diferentes
para confirmar um padrão.

Se você está com ciclos irregulares, dificuldade para engravidar ou
sintomas que podem ter origem hormonal, a Dra. Taiane Frota pode indicar
quais exames fazem sentido para o seu caso e em que momento colher cada
um.


Este artigo tem fins informativos e educativos e não substitui a
avaliação médica individualizada. Cada caso é único e merece atenção
personalizada. Dra. Taiane Frota — CRM-AM 7285 | RQE 4383.

Dra. Taiane FrotaGinecologista · CRM-AM 7285 · RQE 4383

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