Candidíase de repetição: por que volta e como prevenir

Conteúdo revisado pela Dra. Taiane Frota · CRM-AM 7285

Mulher relaxada e confortável em casa, remetendo a bem-estar e cuidado com a saúde íntima

Por Dra. Taiane Frota · CRM-AM 7285

Resumo rápido

A candidíase de repetição é a candidíase que volta várias vezes em um ano, em geral 4 ou mais episódios em 12 meses. Ela costuma ter fatores por trás, como glicemia alterada, uso de antibióticos ou mudanças hormonais. Nem todo corrimento com coceira é candidíase, então confirmar o diagnóstico com a ginecologista faz diferença no resultado do tratamento.

O que é candidíase e por que ela acontece?

A candidíase é uma infecção causada por um fungo chamado Candida. Esse fungo vive normalmente na vagina de muitas mulheres, em pequena quantidade, sem causar problema.

Pense num gramado: a grama fica ali quietinha, mas, com muita umidade e adubo, ela cresce demais. Na vagina, algo parecido pode acontecer. Quando o equilíbrio das bactérias “boas” e do fungo se altera, a Candida se multiplica e surgem os sintomas.

Os sinais mais comuns são:

  • coceira ou ardor na vulva e na vagina;
  • vermelhidão e inchaço da região;
  • corrimento branco e espesso, às vezes parecido com leite coalhado, geralmente sem cheiro forte;
  • desconforto na relação sexual ou ao urinar.

A candidíase não é considerada uma infecção sexualmente transmissível. Ainda assim, ela pode aparecer depois das relações, porque o atrito pode irritar a região.

O que é candidíase de repetição?

Falamos em candidíase de repetição, ou recorrente, quando a infecção volta várias vezes no mesmo ano. No Brasil, o Protocolo do Ministério da Saúde e a Febrasgo, federação das ginecologistas, consideram 4 ou mais episódios em 12 meses. Alguns guias internacionais usam 3 ou mais por ano, e por isso você pode encontrar números um pouco diferentes por aí.

Ela costuma atingir uma parcela pequena das mulheres, em torno de 5%, segundo o protocolo brasileiro. O ponto principal é este: quando volta muito, vale investigar o motivo, e não apenas tratar de novo.

Por que a candidíase volta?

Em muitos casos, não há um único culpado. Os fatores que podem favorecer a candidíase de repetição incluem:

  • Diabetes ou glicemia mal controlada. O excesso de açúcar no sangue e nas secreções pode alimentar o fungo. Alguns medicamentos para diabetes, os inibidores de SGLT2, também podem aumentar o risco.
  • Uso de antibióticos. Eles combatem bactérias, inclusive as protetoras da vagina, e abrem espaço para o fungo.
  • Mudanças hormonais. A gravidez e o uso de alguns métodos hormonais são citados como fatores em protocolos brasileiros.
  • Imunidade mais baixa. Doenças que afetam a imunidade, quimioterapia e o uso prolongado de corticoides podem contribuir.
  • Umidade e calor na região. Roupas muito justas, tecidos sintéticos e ficar muito tempo com roupa de banho ou de ginástica molhada podem favorecer a proliferação do fungo.
  • Produtos íntimos. Sabonetes perfumados, absorventes de uso diário e duchas podem irritar e desequilibrar a região.
  • Espécies de Candida menos comuns. Em uma parte dos casos, o fungo não é o tipo mais frequente e responde menos aos remédios habituais.

Às vezes, nenhum fator é encontrado, e isso não significa que você fez algo errado.

Nem todo corrimento com coceira é candidíase

Este é um dos pontos mais importantes. Coceira e corrimento também aparecem em vaginose bacteriana, em tricomoníase, em alergias e em problemas da pele da vulva. Os sintomas se parecem bastante, e por isso é comum confundir.

Quando você trata por conta própria sem ter certeza, três coisas podem acontecer:

  • você usa um remédio que não serve para o seu problema, e os sintomas continuam;
  • a causa verdadeira demora a ser descoberta;
  • o produto usado sem necessidade pode irritar ainda mais a região.

Por isso, as sociedades médicas desaconselham a automedicação em casos repetidos. Se os sintomas voltam em menos de dois meses depois de um tratamento, a avaliação médica é especialmente indicada.

Como a ginecologista confirma o diagnóstico?

Na consulta, ela conversa com você sobre os sintomas, o uso de medicamentos e o seu histórico de saúde. Depois, faz o exame ginecológico e observa a vulva, a vagina e o colo do útero.

Para confirmar, podem ser usados:

  • Exame a fresco (microscopia): uma pequena amostra do corrimento é vista ao microscópio para procurar o fungo.
  • Medida do pH vaginal: ajuda a diferenciar candidíase de outras causas, porque o pH costuma ser normal nela.
  • Cultura de secreção vaginal: o material é cultivado em laboratório. Isso mostra qual espécie de Candida está presente e é útil nos casos que voltam.
  • Exames de sangue, quando indicados: por exemplo, a glicemia, para investigar diabetes ou pré-diabetes.

Nada disso costuma ser doloroso. A coleta é parecida com a de um exame preventivo.

Como funciona o tratamento?

Como o tratamento é individualizado, não vamos citar produtos nem doses aqui. O que vale entender são os princípios.

Na candidíase de repetição, o tratamento costuma ter duas fases:

  1. Fase de ataque: um antifúngico por um período inicial, para controlar a infecção atual.
  2. Fase de manutenção: um esquema mais espaçado e prolongado, muitas vezes por alguns meses, para reduzir a chance de nova crise.

O tipo de remédio, a via (oral ou vaginal) e a duração dependem do seu caso, da espécie de fungo e de condições como gravidez. Na gestação, por exemplo, a escolha é feita com cuidado e costuma priorizar formas de uso local.

Mesmo com tratamento bem conduzido, a infecção pode voltar. A meta é diminuir a frequência e o desconforto, e não prometer que nunca mais acontecerá.

Como prevenir novas crises?

Não existe garantia, mas algumas medidas costumam ajudar:

  • Trate as causas de base, como o controle da glicemia, com acompanhamento médico.
  • Converse com a médica sobre a necessidade de cada antibiótico e avise que você tem candidíase frequente.
  • Prefira calcinhas de algodão e roupas mais folgadas.
  • Troque roupa de banho ou de ginástica molhada assim que possível.
  • Lave só a parte externa com água e, se quiser, um sabonete neutro sem perfume. Evite duchas vaginais.
  • Evite absorventes de uso diário e produtos perfumados na região.
  • Não use medicamentos por conta própria nem “por precaução”.

E o parceiro precisa tratar?

Em geral, o parceiro sem sintomas não precisa de tratamento. Se ele tiver vermelhidão, coceira ou pequenas manchas na glande, a região da ponta do pênis, deve ser avaliado por um médico. Essa orientação segue o protocolo brasileiro para o parceiro que apresenta sintomas.

Se a infecção aparece com frequência depois das relações, vale contar isso à ginecologista. Ela pode investigar outras causas, como irritação por lubrificantes ou preservativos.

Quando procurar a ginecologista

Procure atendimento se:

  • for a primeira vez que você tem esses sintomas;
  • os sintomas voltarem em menos de dois meses depois do tratamento, ou você tiver várias crises ao longo do ano;
  • o corrimento tiver cheiro forte, cor amarelada ou esverdeada, ou vier com dor na barriga ou sangramento fora da menstruação;
  • houver feridas, bolhas ou fissuras na vulva;
  • você estiver grávida, ou puder estar;
  • você tiver diabetes ou outra condição que afete a imunidade.

Procure um pronto atendimento se surgirem febre, dor forte na parte baixa da barriga ou sangramento intenso.

Como é a consulta e quais exames podem ser pedidos

A consulta começa com uma conversa acolhedora. A médica pergunta quando as crises começaram, o que você usou para tratar, se toma antibióticos com frequência e como está a sua saúde em geral.

O exame físico e a coleta são rápidos. Dependendo do caso, ela pode pedir cultura do corrimento, glicemia, hemoglobina glicada e outros exames. Com os resultados, monta um plano só para você, com o tratamento e as orientações de prevenção.

Perguntas frequentes

Candidíase de repetição é sinal de que tenho alguma doença grave?
Na maior parte dos casos, não. Muitas vezes, há fatores como antibióticos, alterações hormonais ou glicemia um pouco alterada. Mesmo assim, como pode estar ligada a diabetes ou imunidade baixa, vale investigar com a médica.

Posso usar o mesmo remédio de outra vez sem ir ao consultório?
Não é o ideal. Como outras condições dão sintomas parecidos, usar o remédio sem confirmação pode atrasar o diagnóstico certo e piorar a irritação.

Candidíase é infecção sexualmente transmissível?
Não é classificada assim. Ela pode aparecer depois das relações, mas costuma estar ligada ao desequilíbrio da flora vaginal. Em geral, o parceiro sem sintomas não precisa de tratamento.

Comer muito açúcar causa candidíase?
O que está bem descrito é que a glicemia alta e mal controlada favorece o fungo. Para quem não tem diabetes, o papel da dieta é menos claro. Se você tem diabetes, o controle da glicemia é parte da prevenção, e a médica pode orientar a alimentação.

A candidíase pode voltar depois do tratamento de manutenção?
Pode. O tratamento de manutenção costuma reduzir as crises enquanto é usado, mas nenhum esquema garante que a infecção nunca mais volte. Por isso o acompanhamento é importante.

Se você se identificou com o que leu, a Dra. Taiane Frota pode avaliar o seu caso.


Este artigo tem fins informativos e educativos e não substitui a avaliação médica individualizada. Cada caso é único e merece atenção personalizada. Dra. Taiane Frota — CRM-AM 7285 | RQE 4383.

Dra. Taiane FrotaGinecologista · CRM-AM 7285 · RQE 4383

Atendimento humanizado com foco na saúde integral da mulher, em Manaus.

Precisa de uma avaliação individualizada?

Cada mulher é única. Tire suas dúvidas em consulta com a Dra. Taiane Frota.

Agendar consulta pelo WhatsApp

Receba os novos artigos por e-mail

Um aviso quando a Dra. Taiane publicar um conteúdo novo. Sem spam, e você cancela quando quiser.

Este artigo tem fins informativos e educativos e não substitui a avaliação médica individualizada. Consulte a Dra. Taiane Frota para uma avaliação completa e um plano adequado à sua realidade.

Salve o blog na sua tela inicial
No Safari, toque em Compartilhar (o quadrado com a seta para cima) e depois em Adicionar à Tela de Início.