Papanicolau ou teste de HPV: qual a diferença e qual fazer

Conteúdo revisado pela Dra. Taiane Frota · CRM-AM 7285

Médico conversando com paciente durante consulta sobre exame preventivo ginecológico

O Papanicolau procura células do colo do útero que já mudaram. O teste de HPV procura o material genético do vírus que pode causar essas mudanças, muitas vezes antes de elas aparecerem. Pelas diretrizes do SUS, o teste de HPV vem substituindo aos poucos o Papanicolau como exame de rastreamento, mas é a sua ginecologista quem indica o caminho mais adequado para você.

Para que serve o exame preventivo?

O câncer do colo do útero, a parte de baixo do útero que fica dentro da vagina, quase sempre começa com uma infecção persistente pelo HPV, o papilomavírus humano. A maioria das infecções por HPV some sozinha. Em alguns casos, ela permanece por anos e pode causar alterações nas células.

Essas alterações costumam surgir devagar e podem ser encontradas e tratadas antes de virarem câncer. É isso que o rastreamento faz: procurar sinais precoces em mulheres que não têm sintoma nenhum.

Papanicolau ou teste de HPV: o que cada exame detecta?

Pense na diferença entre ver a ferrugem já formada e perceber a umidade que pode provocá-la. As duas informações ajudam, mas dizem coisas diferentes.

  • Papanicolau (citologia): o material coletado do colo do útero é observado ao microscópio para procurar células alteradas. Ele mostra se já existe mudança nas células.
  • Teste de DNA-HPV: analisa o material coletado para procurar o DNA do vírus, especificamente dos tipos de alto risco, os chamados oncogênicos. Ele mostra se o vírus está presente, mesmo quando as células ainda parecem normais.

O teste de HPV costuma identificar mais lesões que precisam de atenção do que a citologia isolada. Por isso, quando o resultado é negativo, o intervalo até o próximo exame pode ser maior.

Um teste de HPV positivo não significa câncer. Significa que existe um vírus que merece acompanhamento.

O que mudou no SUS?

Em agosto de 2025, o Ministério da Saúde publicou as novas Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero. Elas colocam o teste de DNA-HPV como exame principal no SUS, no lugar do Papanicolau. As regras gerais são:

  • Quem: mulheres e pessoas com colo do útero de 25 a 64 anos, sem sintomas, que já iniciaram a vida sexual.
  • Intervalo: se o teste de HPV for negativo, repete-se em 5 anos. No modelo anterior, o Papanicolau se repetia a cada 3 anos, depois de dois exames anuais normais.
  • Se der positivo para HPV 16 ou 18: os dois tipos mais associados às lesões graves, a paciente é encaminhada direto para a colposcopia.
  • Se der positivo para outros tipos de alto risco: a mesma amostra é usada para fazer o Papanicolau. Se ele estiver alterado, segue para a colposcopia. Se estiver normal, repete-se o teste de HPV em 1 ano.

Isso quer dizer que o Papanicolau não desaparece: ele passa a ter o papel de exame de confirmação para quem tem HPV positivo.

A troca já chegou a todos os lugares?

Ainda não em todos. A implantação começou entre agosto e setembro de 2025, por municípios selecionados de alguns estados, e a meta do Ministério da Saúde é chegar a todo o país até o fim de 2026. Enquanto isso, muitos serviços continuam oferecendo o Papanicolau. Para saber o que está disponível na sua cidade, pergunte na unidade de saúde.

E quem faz exame na rede particular?

As diretrizes valem para o SUS. Na rede particular, a escolha do exame, do intervalo e da idade de início é feita pela ginecologista, com base no seu histórico e na sua vida sexual. Algumas mulheres fazem o Papanicolau, outras o teste de HPV, e o planejamento pode combinar os dois. Os planos de saúde também têm regras de cobertura próprias, e vale conferir com o seu.

O ponto importante é este: não existe um exame “certo” para todas. Existe o exame adequado para você, escolhido em consulta.

Quando começar e até quando fazer?

Pela referência do SUS, o rastreamento começa aos 25 anos e vai até os 64. Antes dos 25, as infecções por HPV são muito comuns e costumam desaparecer sozinhas, então a busca por alterações traz mais riscos do que benefícios.

Perto dos 64 anos, a decisão de parar leva em conta os seus exames anteriores. Quem nunca fez o exame deve conversar com a médica antes de considerar interromper.

E quem nunca teve relação sexual?

O rastreamento é indicado para quem já iniciou a vida sexual, porque o HPV é transmitido principalmente pelo contato íntimo. Em geral, mulheres que nunca tiveram relação sexual não fazem parte do rastreamento de rotina. Se você está nessa situação, converse com a ginecologista: ela avalia o seu caso individualmente.

Quem precisa de cuidados especiais?

Algumas situações pedem acompanhamento próprio, com intervalos menores e outras regras. Entre elas:

  • mulheres com imunidade baixa, como as que vivem com HIV, receberam transplante ou usam medicamentos que reduzem a imunidade;
  • mulheres com histórico de lesões no colo do útero, já tratadas;
  • mulheres com alguma alteração em exames anteriores.

Nesses casos, o calendário é definido pela médica, e não pela regra geral. Se você se encaixa em algum desses grupos, não siga o intervalo de 5 anos sem conversar com ela.

Mesmo quem tomou a vacina contra o HPV continua precisando do rastreamento, porque a vacina não protege contra todos os tipos do vírus.

E se o resultado vier alterado?

Primeiro, respire. Resultado alterado não é diagnóstico de câncer. Na maioria das vezes, é um aviso para investigar melhor.

O passo seguinte costuma ser a colposcopia. É um exame em que a médica olha o colo do útero com uma lente de aumento, sem cortar nem furar. Se aparecer algo suspeito, ela pode retirar um pequeno fragmento, a biópsia, para análise.

A colposcopia geralmente não é dolorosa. Você pode sentir uma pressão discreta, e a biópsia pode causar um leve incômodo, como uma pequena repuxada. Se alguma lesão for confirmada, existem tratamentos disponíveis, e encontrá-la cedo costuma facilitar o cuidado. A médica explica cada etapa.

O exame é doloroso?

Em geral, não. A coleta é rápida, com duração de poucos minutos. A médica usa um espéculo, o instrumento que abre a entrada da vagina, e uma pequena escova ou espátula para colher o material do colo do útero.

Você pode sentir pressão, um leve desconforto ou até um pouco de sangramento depois, o que costuma ser passageiro. Respirar fundo e relaxar ajuda. Se você sente medo ou já teve experiências difíceis, avise: a médica pode ir no seu ritmo.

Como me preparar?

Para não atrapalhar o resultado, as orientações costumam ser:

  • não fazer o exame menstruada;
  • evitar relação sexual nas 48 horas antes, mesmo com preservativo;
  • não usar duchas, lubrificantes, espermicidas ou medicamentos vaginais nesse período;
  • avisar a médica se você estiver usando algum remédio vaginal ou fez ultrassom transvaginal recentemente.

Confirme o preparo com a sua ginecologista, porque ele pode variar de acordo com o exame e o serviço.

Quando procurar a ginecologista

Agende uma consulta se:

  • você tem 25 anos ou mais, já iniciou a vida sexual e não sabe quando fez o último exame;
  • o último exame foi há mais tempo do que a sua médica recomendou;
  • você teve resultado alterado e não sabe o que fazer;
  • você tem imunidade baixa ou histórico de lesão no colo do útero;
  • você percebe sangramento depois da relação, sangramento fora do período menstrual, dor na relação ou corrimento diferente.

Sangramento intenso ou dor forte na barriga pedem um pronto atendimento.

Como é a consulta e quais exames podem ser pedidos

Na consulta, a médica conversa sobre o seu histórico: exames anteriores, vida sexual, vacinação contra HPV, uso de medicamentos e doenças que afetam a imunidade. Depois, faz o exame ginecológico, com a coleta que for indicada para o seu caso.

Ela também pode indicar, conforme a situação, a colposcopia, a biópsia e testes para outras infecções sexualmente transmissíveis. O resultado é explicado com calma, junto com o plano para os próximos passos e a data do próximo exame.

Perguntas frequentes

Preciso fazer o Papanicolau e o teste de HPV juntos?
Nas diretrizes do SUS, não se recomenda fazer os dois ao mesmo tempo como rotina. Na rede particular, a decisão cabe à sua ginecologista.

Se eu fiz o Papanicolau normal, preciso do teste de HPV?
Depende. O Papanicolau normal indica que não havia células alteradas naquele momento. Se o teste de HPV é indicado ou não, a médica decide com base na sua idade e no seu histórico.

Tomei a vacina do HPV. Ainda preciso fazer o preventivo?
Sim. A vacina protege contra alguns tipos do vírus, mas não contra todos, e o rastreamento continua importante.

Ter HPV positivo significa que vou ter câncer?
Não. A maioria das infecções por HPV desaparece sozinha. O resultado positivo indica que é preciso acompanhar, e a médica define o seguimento.

Posso fazer o exame no período menstrual?
Em geral, não é recomendado, porque o sangue pode atrapalhar a leitura. Agende para um período em que você não esteja menstruada.

O SUS no meu município já oferece o teste de HPV?
A implantação é gradual e a previsão é chegar a todo o país até o fim de 2026. Consulte a unidade de saúde do seu bairro para saber o que está disponível.

Se você se identificou com o que leu, a Dra. Taiane Frota pode avaliar o seu caso.


Este artigo tem fins informativos e educativos e não substitui a avaliação médica individualizada. Cada caso é único e merece atenção personalizada. Dra. Taiane Frota — CRM-AM 7285 | RQE 4383.

Dra. Taiane FrotaGinecologista · CRM-AM 7285 · RQE 4383

Atendimento humanizado com foco na saúde integral da mulher, em Manaus.

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Este artigo tem fins informativos e educativos e não substitui a avaliação médica individualizada. Consulte a Dra. Taiane Frota para uma avaliação completa e um plano adequado à sua realidade.

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